Este estudo foi elaborado pelo meu amigo Dc. Samuel e foi ministrado para a juventude da tijuca em maio de 2009. Tem como objetivo investigar as escrituras a fim de esclarecer o que é arrependimento e fé para salvação.
Estive presente neste estudo e gostei muito do conteúdo, por isso eu recomendo.
Um abraço Samuca.
I. O SIGNIFICADO DO ARREPENDIMENTO:
A origem da palavra no grego
O verbo que dá origem a palavra, em grego, é METANOEO, e é definido assim:
“Se arrepender, incluindo as idéias de reflexão, contemplação, e mudança de mente, pensamento, por exemplo, do julgamento e do sentimento, sobre aspectos morais, com referência particular ao caráter e conduta do próprio penitente.”
"O verbo METANOEO não deve restringir-se apenas à mera tristeza pelo pecado! O arrependimento no sentido de contrição; mas implica uma mudança de pontos de vista, de pensamento e de propósito, e uma conseqüente mudança da predisposição - arrependimento no sentido de conversão."
"mudar de idéia? por exemplo! arrepender-se?..., de ter ofendido alguém..."
"O arrependimento causa uma mudança na mente... O arrependimento causa uma mudança nas afeições
“O arrependimento opera uma mudança na vida.”
1- Duas espécies de Arrependimento
Há um arrependimento evangélico e há também um arrependimento legal. O arrependimento legal surge inteiramente através do temor das conseqüências do pecado. Esta é a espécie que Judas provou. O arrependimento evangélico é acompanhado de tristeza segundo Deus e se opera no coração pelo Espírito regenerador de Deus. É arrependimento evangélico que ora consideramos nesse estudo.
2- O que o arrependimento não é?
Não é uma reforma:
Muitos, em vez de mudar a sua atitude para com Deus, querem emendar a sua vida. Não dá certo e não é arrependimento.
Não é tristeza pelo pecado:
Muitos líderes religiosos dizem aos seus seguidores que tristeza é arrependimento, mas não é!
Paulo diz que "a tristeza segundo Deus opera arrependimento" (2 Cor. 7:10), por exemplo, a tristeza, segundo Deus, "opera" ou "produz" arrependimento, mas não é arrependimento!
Sem dúvida pode acompanhar o arrependimento, mas não é o arrependimento. Pessoas podem ficar emocionadas com a pregação e choram, mas se continuarem no mesmo rumo não mudaram de atitude para com Deus.
O terror judicial na consciência não é arrependimento:
Muitos indivíduos, os quais foram apavorados pela exposição verdadeira de um julgamento pessoal e eterno, têm, mesmo assim, continuado no pecado e na rebeldia, tanto pela continuidade na sua auto justiça quanto pela rebeldia aberta.
Especialmente, esta é a verdade no caso dos pecadores no seu leito de morte. Eles viveram suas vidas na rebelião contra o Deus do Céu, mas o pensamento do: “temor de algo aterrorizante após a morte, aquele temor do julgamento eterno que deverá passar sobre todos... O prospecto de responder pelas ações" os causa muito terror de consciência, mas isto é muito distante do arrependimento.
Não é penitência:
Outros querem se afligir ou fazer certas obras, para pagar ou penar pelos seus pecados. Deus não aceita tais obras e não precisa fazê-las porque Cristo na cruz fez o pagamento dos nossos pecados.
Nega a suficiência da satisfação de Cristo pelos nossos pecados em franca contradição com a Escritura (Cf. Rom. 4:7, 8; 10:4; Heb. 10:14; 1 João 1:7).
Não é remorso:
Quando o pecador chega a perceber as conseqüências, do seu pecado ele tem remorso, isto é: ele lamenta a situação em que se encontra, mas não muda a sua atitude para com Deus.
O caso de Judas lscariotes é um exemplo de remorso. “Então Judas que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, TOCADO DE REMORSO, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciães dizendo: “Pequei, traindo sangue inocente” (Mateus 27:3 e 4) Não houve esperança, pois a sua confissão não foi de arrependimento, mas sim, de desespero e remorso.
Um caso de pseudo arrependimento
"Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos." (Mateus 27:3)
Há casos iguais ao de Judas, onde o indivíduo experimenta a "mudança de pensamento", mas a "mudança" não vem de uma mudança de atitude e emoção adequada, e, portanto não produz a "mudança de pensamento", revelando que esta mudança não é fruto da regeneração.
A palavra usada, a respeito de Judas, é METAMELOMAI. A palavra significa que Judas ficou entristecido que fora "capturado" ou "condenado", e não significa que ele "arrependera-se" e Deus "recusou-se em salvá-lo."
"Esta palavra expressa remorso, e pode ou não ser seguida de mudança de proposta ou conduta; muito diferente da palavra (METANOEO) usada para denotar o arrependimento à vida." (BROADUS, J. A. MATEUS, p. 438)." "O verbo METAMELOMAI ocorre no N. T. apenas cinco vezes (Mt. 21:29, 27:3; II Co. 7:8; Hb 7:21 de Salmos 109:4). Paulo distingue claramente o que é mera tristeza do ato do arrependimento, o qual chama de METANOIAN (II Co 7:9). “No caso de Judas (Mateus 27:3) foi mero remorso” (ROBERTSON, A. T. WORD PICTURES, vol. 1, p. 170) "A palavra METAMELOMAI significa mudança de afeição de alguém, pesar; sempre acompanhada com a idéia de tristeza." (BOYCE, J. P. ABSTRACT OF SYSTEMATIC THEOLOGY, p. 383).
3-Os elementos constituintes do Arrependimento.
(a). O pecado é reconhecido.
O homem deve ver-se a si mesmo como diferente de Deus e em rebelião contra Deus. Deve ver a oposição que vai de sua condição com a santidade de Deus. Deve ver que Deus detesta sua condição e seu estado. O reconhecimento do pecado que entra no arrependimento para a salvação tem a ver, primariamente, não com o fato que o pecado traz castigo senão com o fato que o pecado ofende a Deus. Há, sem dúvida, um temor das conseqüências eternas do pecado; o que não é, porém, a coisa primária.
Este reconhecimento do pecado é convicção e ele constitui o elemento intelectual do arrependimento.
(b). O pecado é lamentado e aborrecido.
A tristeza divina entra no arrependimento. Quando alguém se vê a si mesmo como se fora diante de Deus, ele é trazido a lamentar o seu pecado e a aborrecê-lo. Isto é o elemento emocional do arrependimento.
(c). O pecado é abandonado
Não é completo o arrependimento enquanto não houver uma deserção íntima do pecado que conduz a uma mudança externa da conduta. Isto é o elemento voluntário ou volitivo do arrependimento. Assim o arrependimento concerne à inteira natureza interna: intelecto, emoção e vontade.
4- IlustraçÕes da Palavra de Deus
Davi, o Ilustre Rei de Israel, cometeu adultério com Bate-Seba, a linda mulher de Urias, o heteu, (II Samuel 23:39 ) do exército de Israel.
Não apenas cometeu Davi o adultério, assim como enviou Urias a morrer na guerra. (II Samuel 11:15 )
Em Salmos 51, Davi confessa, e se arrepende de seus grandes e graves pecados. Ele diz: "Contra Ti, contra Ti somente pequei, e fiz o que é mal a Tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.” (Salmos 51:4)
"Ele não substitui, portanto, direta ou indiretamente, Deus pelo homem, este como sendo a vítima, o qual é o único sentido que pode ser deduzido através da frase! contra ti? Esta idéia, entretanto, está sem dúvida implícita, assim como também perfeitamente consistente com o uso das Escrituras, no descrever do pecado contra Deus. E mesmo o homicídio, o pior crime que possa vir a ser cometido contra o homem, é condenado e punido, como uma violação contra a imagem de Deus (Gen. 9:6)"
Pedro, o Apóstolo, quem esteve entre os três mais íntimos dos apóstolos, praguejou e jurou a não conhecer a Cristo.( Mateus 26:74 ) Quando Cristo olhou a ele, Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito (Lucas 22:61), saindo dali (Marcos 14:72) e chorou amargamente, por ter pecado contra o Senhor da Glória.
A parábola do Filho Pródigo fornece-nos com um excelente exemplo de arrependimento. O filho pródigo virou as costas para o pai e desprezou o seu lar porque para ele a terra distante era muito melhor. Entretanto, depois da sua experiência na terra distante e enquanto estava apascentando os porcos, e com muita fome, ele mudou de pensamento e de atitude para com o pai e também para com a terra onde estava. (Lucas 15:17 e 18). Ele se arrependeu, e mudou de rumo.
O outro exemplo é de um dos salteadores que foi crucificado com Cristo. No princípio ele blasfemava e escarnecia de Cristo (Mateus 27:44), mas enquanto estava pendurado na cruz percebeu que o homem crucificado ao seu lado era diferente dos demais. Ele repreendeu o outro salteador que estava blasfemando do Filho de Deus (Lucas 23:40 e 41). O salteador se arrependeu e mudou de atitude para com Jesus Cristo.
5 - O arrependimento age para com os nossos próximos.
Apesar de que arrependimento não é uma obra que ganha salvação, arrependimento que leva à salvação vai resultar em obras. É impossível completamente e totalmente mudar sua convicção sem que isso cause uma mudança em ação. Na Bíblia, arrependimento resulta em uma mudança de comportamento. Por isso João Batista convidou as pessoas a produzir “frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). Uma pessoa que realmente se arrependeu de sua rejeição de Cristo e passou a ter fé nEle vai tornar isso evidente através de uma vida transformada (2 Coríntios 5:17; Gálatas 5:19-23; Tiago 2:14-26). Arrependimento, propriamente definido, é necessário para salvação. Arrependimento bíblico é mudar de convicção sobre Jesus Cristo e tornar-se para Deus em fé para salvação (Atos 3:19). Tornar-se contra o pecado não é uma definição de arrependimento, mas é um dos resultados do arrependimento genuíno que foi baseado em fé verdadeira pelo Senhor Jesus Cristo.
Se alguma pessoa teve uma "mudança de mente", a respeito de seu relacionamento com Deus, esta terá, sem dúvida alguma, uma "mudança de mente", a respeito dos seus próximos.
Se o pecador estiver realmente arrependido de seu pecado perante de Deus, então ele estará arrependido a respeito de seu relacionamento com seu "conterrâneo". O mesmo
Deus que deu os primeiros cinco Mandamentos, os quais eram de regulamentar a conduta de alguém para com Ele, também deu os últimos cinco para regulamentar a conduta de alguém com seus semelhantes.
O relatório de Zaqueu testifica que o arrependido passará por uma mudança de mente para com o seu próximo. Zaqueu foi um homem que cobrou mais do que deveria, como cobrador de impostos. Todavia, quando ele se arrependeu de seus pecados perante Deus, ele disse: "Eis que dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado."( Lucas 19:8)
O apóstolo João diz claramente que quem se arrependeu diante de Deus (e agora ama a Deus), também arrepender-se-á diante do povo de Deus (e agora ama o povo de Deus). (I João 5:1 )
6 - O arrependimento é um dom de Deus.
As três passagens seguintes provam isto:
”A Ele Deus exaltou com a Sua destra para ser Príncipe e Salvador, para dar o arrependimento a Israel e remissão dos pecados.” (Atos 5:31)
Ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade? (2 Tim. 2:24,25). (Rm 2:4)
E quando ouviram estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade, até aos gentios concedeu Deus o arrependimento para a vida. (Atos 11:18).
O sentido disso é, simplesmente, que o arrependimento se opera no homem pelo poder vivificador do Espírito Santo, como já o notamos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Pergunta: "O que é arrependimento? É arrependimento necessário para salvação?”
Resposta: Muitos entendem que o termo “arrependimento” significa “tornar-se contra o pecado”. Essa não é a definição bíblica de arrependimento. Na Bíblia, a palavra “arrepender” significa “mudar de idéia/convicção”. A Bíblia também nos diz que arrependimento verdadeiro vai resultar em uma mudança de comportamento (Lucas 3:8-14; Atos 3:19). Atos 26:20 declara: “mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.” Uma definição bíblica e completa de arrependimento é mudar de convicção sobre algo que resulta em mudança de comportamento.
Qual é então a conexão entre arrependimento e salvação?
O livro de Atos aparenta se focalizar especialmente em arrependimento em relação à salvação (Atos 2:38; 3:19; 11:18; 17:30; 20:21; 26:20). Arrepender-se, em relação à salvação, é mudar sua convicção sobre Jesus Cristo. Na pregação de Pedro no Dia de Pentecostes (Atos 2), ele conclui com um chamado para as pessoas se arrependerem (Atos 2:38). Arrepender-se de quê? Pedro está convidando as pessoas que rejeitaram a Jesus (Atos 2:36) a mudar seus pensamentos sobre Ele e reconhecer que Ele é realmente “Senhor e Cristo” (Atos 2:36). Pedro está convidando as pessoas a transformarem suas mentes deixando para trás sua rejeição de Cristo como o Messias e passar a ter fé Nele como Messias e Salvador.
(Lc 3.7,8) Refletindo sobre este texto fiz-me a seguinte pergunta: o que realmente me incomoda quando peco? Encontrei, então, duas possíveis respostas: (1) o medo da punição, do castigo, da ira divina ou (2) o pecado em si, ou seja, a própria consciência do erro e o quanto isso desagrada o meu Deus. Se a primeira reposta for verdadeira, quando eu peco, não me incomoda o fato de ter ofendido o meu Redentor, mas a possibilidade de ser punido por isso. Por outro lado, sendo a segunda verdade, temo, não apenas o castigo, mas perder a comunhão com o amado de minha alma.
Quando João começou a batizar no Jordão, muitas pessoas iam até ele para serem batizadas. Ele pregava o batismo para o arrependimento. E, de fato, contam-nos as Escrituras que os que vinham até o Batista confessavam seus pecados e eram por ele batizados. Entre essas pessoas estavam também os fariseus. Estes também confessaram seus pecados e queriam ser batizados por João para o arrependimento. Porém, aos fariseus, João repreendeu duramente e os chamou de "raça de víboras".
Então, por que João os repreende tão severamente? Porque buscavam o arrependimento por motivos errados. Quais eram os motivos errados? Eles buscavam o arrependimento por causa da "ira vindoura" – o juízo de Deus. Mas, alguém pode perguntar: não é este o motivo pelo qual os pecadores devem se arrepender? Já que sem arrependimento não há perdão o que acarreta condenação eterna. Então, o que há de errado com os motivos dos fariseus?
O erro é igual ao que muitas vezes nós mesmos cometemos: buscar o perdão por nossa própria causa e não por causa de Deus. Em outras palavras, buscar o perdão porque não queremos ser prejudicados – castigados – e não porque amamos a Deus. Esta idéia de pedir perdão para não ser castigado está tão impregnada em nossas mentes que nem percebemos que é assim que agimos na maioria das vezes. Vou dar alguns exemplos que comprovam isso. Você já percebeu que quando você quer muito alguma coisa e ora intensamente para obtê-la, você também se torna muito mais cuidadoso com o pecado, evitando-o ao máximo. Isto acontece porque temos medo de que Deus se zangue conosco por termos pecado e, como castigo, nos prive daquilo que tanto queremos. Um outro exemplo: depois de termos pecado sentimo-nos mal com isso: o coração fica apertado, a consciência nos perturba tanto que parece até uma dor física, perdemos a paz, o prazer e sequer conseguimos nos divertir por causa do remorso em nossa mente. Então, oramos, buscando o perdão de Deus. Você vai perguntar: o que há de errado nisso? Nada, se o fizéssemos por amor a Deus. Mas, quando fazemos isso simplesmente para nos sentirmos bem novamente, buscamos o perdão por motivos errados e egoístas.
A busca do perdão deve ser conseqüência do verdadeiro arrependimento. Este arrependimento não tem a ver somente com o medo do castigo, mas também e principalmente com o amor que temos pelo Santo Deus. O perdão tem a ver com o outro e não com nós mesmos, ou seja, não devemos pedir perdão para nos preservar, senão por amarmos a quem ofendemos. Isto se torna ainda mais real e necessário em nosso relacionamento com Deus. Quando pecamos ofendemos a Deus, agredimos a sua santidade, desonramos a obra de Cristo e somos levianos com a graça e com a misericórdia divinas. Ainda mais, mostramos não compreender quão sério e grave é o pecado para Deus, pois por causa do pecado o Pai sacrificou seu único Filho. Assim, o arrependimento e a busca do perdão devem, antes de tudo, refletir a consideração que temos por Deus e por tudo que fez por nós através de Cristo. Baseado no que revelam as Escrituras, que o céu não é bom porque lá há ruas de ouro e outras maravilhas, mas porque no céu é impossível pecar, logo lá não poderei desagradar nem ofender o meu Deus.
II. A FÉ :
Aqui temos a referência à fé salvadora; por isto notamos:
1- A FÉ SALVADORA DEFINIDA
A fé salvadora é confiança e firmeza no Senhor Jesus Cristo como o Salvador pessoal de alguém e portador de pecados. E, desde que a salvação inclui a santificação tanto como a justificação, a fé salvadora alcança a entrega do ser a Cristo.
A salvação é dada por Deus sem merecimento algum da nossa parte. Pela fé recebemos a salvação, pois é o meio pelo qual somos salvos. A palavra mais empregada para descrever a fé é “crer”, mas também há outras como VIR a Cristo (Mat 11:28). “ENTRAR pela porta” (João 10:9) “RECEBER” (João 1:12), e “ABRIR a porta” (Apocalipse 3:20). No Novo Testamento alguns versículos que conhecemos melhor são os que dão ênfase à fé, como: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua casa” (Actos 16:31). “O justo viverá por fé” (Romanos 1:17), e “e tua fé te salvou (Mateus 9:22). Portanto, queremos saber o que é a fé”.
2 - A FÉ SALVADORA DISTINGUIDA DE SUAS IMITAÇÕES
(1). Crença histórica
Isto é mera crença nos fatos da revelação como matérias de história, incluindo a crença na existência de Deus e em que houve um homem chamado Jesus que pretendeu ser o Filho de Deus. Pode ver-se prontamente que semelhante crença não tem valor salvador.
(2). Assentimento intelectual
Isto sobe mais um degrau, trazendo aceitação mental das coisas reveladas de Deus e Jesus Cristo. Assim, um que crê na existência de Deus vem a crer nEle como sendo um ser segundo a Bíblia O revela ser e um que crê que semelhante pessoa como Jesus viveu, vem a crer que Ele era o Filho de Deus e que Ele morreu como um sacrifício pelo pecado. Isto é um passo para a fé salvadora, mas não é ela mesma.
O campbelismo ensina que a fé salvadora não é nada mais que o precitado. Ele se fia em passagens como 1 João 4:15 e 5:1. Mas estas passagens devem ser compreendidas à luz de toda a outra Escritura e esta certamente proíbe que a crença referida nessas passagens deva ser entendida como sendo mero assentimento intelectual à deidade de Cristo. A fé salvadora não é meramente mental (intelecto), mas do coração (emoções). Vide Rom. 10:9,10. A crença de que se falou nas passagens supra é tal como é produzida no coração por um conhecimento experimental do poder de Cristo.
Dois fatos, então, quanto às circunstancias sob as quais estas expressões foram enunciadas, lançam luz sobre elas.
A. O perigo de se professar crença na deidade de Cristo foi tal nos dias apostólicos que ninguém o faria assim a menos que impulsionado por verdadeira fé nEle.
B. O cristianismo apresentou tal contraste com o judaísmo e paganismo que ninguém creria na deidade de Cristo sem verdadeira fé nEle. Aqueles que não tinham esta fé considerariam a Jesus como um impostor.
3 – O que é Fé?
Há três elementos na fé:
(A) O conhecimento do caminho
(B) A submissão ao caminho
(C) Confiança no caminho
(A) O conhecimento do caminho:
É lógico que precisa conhecer o evangelho antes de poder crer nele. Mesmo assim há pessoas que tem fé como o pedreiro que, quando lhe perguntaram no que ele cria respondeu: “creio no que a igreja crê”. “E no que a igreja crê?” “a igreja crê no que eu creio”. “Sim, mas no que você e a igreja crêem?” “Bem, cremos na mesma coisa”. A única coisa que esse homem cria era que a igreja estava certa, mas no que ele não sabia dizer. É inútil que alguém diga: “Eu sou crente”, se não sabe no que crê; mesmo assim temos visto pessoas com essa posição. Ouviu uma pregação empolgante que agitou o sangue deles; o pregador gritava: “Creia! Creia! Creia!” e de repente as pessoas põem na cabeça que são crentes, e saem por ai dizendo isso. Quando lhe perguntam: “Bem, no que vocês crêem?”, não sabem dar a razão da esperança que há neles. Crêem que irão ao culto no próximo domingo; pretendem juntar-se a certo tipo de pessoas; decidem cantar com muita força, e serem maravilhosos a seus próprios olhos, por isso acha que serão salvos; mas não sabem dizer no que crêem. Bem, a fé não é verdadeira se a pessoa não sabe dizer no que crê.
O apóstolo Paulo trata deste assunto em Romanos, capítulo 10. “É assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém invocarão aquele em que não creram? e como crerão naquele de que nada ouviram? e como ouvirão se não há quem pregue? (Romanos 10:13 e 14). Há necessidade de entender a mensagem do evangelho antes de poder crer, e por isso, o pregador deve anunciar com clareza os fatos essenciais do evangelho.Entretanto, o conhecimento do evangelho não salva ninguém. Alguém, pode conhecer e aceitar todos os fatos do evangelho sem obter a salvação. Simão o mágico acreditou no evangelho, “abraçou a fé” e foi batizado, mas ainda estava em “fel de amargura e laço de iniqüidade” (Atos 8:13 e 23).
Precisa haver certo grau de conhecimento antes que possa haver fé (Jo: 5.39)
Com a pesquisa e o estudo vem o conhecimento, com o conhecimento vem à fé, e com a fé vem à salvação.
(B) A submissão ao caminho:
Foi pela sua livre vontade que o homem tornou-se revoltoso contra Deus e também é pelo exercício da sua vontade que ele volta a Deus por Jesus Cristo. O homem pode escolher entre o caminho largo e o caminho apertado, entre Cristo e o pecado.
(C) Confiança no caminho
Entretanto, é possível que alguém tudo isso sem que tenha fé autêntica, porque a parte principal da fé está na terceira palavra, ou seja, na confiança, na verdade. Não simplesmente acreditar nela, mas para tomar posse dela e apoiar-se nela para salvação. Descansar na verdade é a palavra que os pregadores antigos usavam. Você entende essa palavra: reclinar-se sobre -- dizer: “Isto é verdade. Confio minha salvação nela”. A fé verdadeira em sua essência reside nisso – descansar em Cristo. Saber que Cristo é o salvador não me salva. Confiar Nele como meu salvador é que vai me salvar. Não serei poupado na ira vindoura por crer que sua expiação é suficiente; mas serei salvo tornando essa expiação a minha garantia, meu refúgio, meu tudo. O cerne, a essência da fé está nisso – fundamentar-se sobre a promessa. Não é a bóia salva – vidas que esta no navio que salva alguém que está se afogando, nem a convicção de que ela é uma invenção muito boa e prática. Não! É preciso colocá-la em volta da cintura, ou segura-la com as mãos se não afogaremos. Usando uma ilustração antiga e bem conhecida: imagine que começou um incêndio em um quarto do segundo andar de uma casa, e as pessoas se aglomeram na rua. Há uma criança neste andar: como escapará? Ela não pode pular, porque se faria em pedaços. “Um homem forte vem para frente da casa e grita: ““ Jogue-se nos meus braços”. Faz parte da fé saber que o homem está ali; outra parte da fé é saber que o homem é forte; mas a essência da fé reside em deixar-se cair nos braços do homem. Essa é a prova da fé e sua verdadeira essência e medula. Portanto, o pecador, precisa saber que Cristo morreu pelos pecadores; precisa compreender também, e crer, que Cristo pode salvar; mas você não será salvo se não colocar sua confiança nEle para ser seu salvador para sempre.
O caminho é uma pessoa; é Jesus Cristo que pela Sua morte na cruz tornou-se o caminho, pois, somente Ele pela sua morte expiatória serve como base para a nossa fé. Não é a questão de ter uma fé grande ou pequena, mas o que é mais importante é a pessoa em quem estamos confiando. Escreveu o apóstolo Pedro: “Chegando-vos para ele (Cristo), pedra que vive” (1 Pedro 2:4). Há firmeza, segurança e salvação em Cristo crucificado, e só nele. O leitor de Atos dos Apóstolos havia de notar que os pregadores, da igreja primitiva falavam de Jesus Cristo e o apresentavam como o objeto da nossa fé. A respeito da igreja em Jerusalém temos: “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e pregar Jesus, o Cristo” (Atos 5:42).
4. A fé como um dom de Deus.
Isto está provado pelas passagens já citadas que designam o arrependimento como um dom de Deus; porque, como veremos, o arrependimento e a fé são graças inseparáveis. Cada uma, quando aparece só nas Escrituras, abraça a outra; porque, se isto não fosse verdade, as passagens que mencionam só uma ou outra, ensinavam que alguém possa salvar-se tanto sem arrependimento como sem fé.
Isto também está provado por passagens que ensinam que a nossa vinda a Cristo e crença nEle são o resultado da obra do poder de Deus. Vide João 6:37,65; Efe. 1:19,20. Isto está ainda provado pelo fato que a fé é um fruto do Espírito Santo (Gal. 5:22).
A fé é algo proveniente de Deus, e não do homem. É por causa da fidelidade, bondade e imutabilidade de Deus demonstrado no evangelho (fé) que o homem passa a descansar na esperança proposta (fé). Ao ouvir a palavra de Deus, que contém grandíssimas promessas II Pe 1: 4, no coração do homem surge a fé, que nada mais é que confiança (fé) em Deus, que é fiel e poderoso para cumprir. A fé é resultado direto da fidelidade e do poder de Deus.
5- A fé não tem mérito em si mesma.
6 - A fé necessáriamente se expressa em obras.
A fé é um princípio dinâmico. Ela ergue o amor e, portanto as obras (Gal. 5:6). A fé que não se expressa em obras é uma fé morta, o que é só outra maneira de dizer que é espúria ou irreal (Tia. 2:17).
7 - A fé é distinguivel da esperança
A fé e a esperança são muito aparentadas; mas ambos os termos não são sinônimos. Fé e esperança diferem nas seguintes maneiras:
(a). Fé é confiança; esperança é expectação A diferença aqui é estreita, mas é uma diferença tal como é comum entre vários termos um tanto parecidos. Tanto a fé como a esperança envolvem a idéia de confiança, mas com o uso de preposições diferentes. Confiamos em? Como um ato de fé. Confiamos para? Em esperança.
(b) A Fé é firmeza sobre algo agora presente Como conhecido ou crido, Esperança está olhando pra diante, para algo no futuro.
(c) Cristo é o objeto da fé; Ao passo que a salvação, liberdade do pecado, glorificação e céu são os objetos da esperança.
(d) A esperança resulta da fé Portanto, não pode ser fé. Vide Rom. 5:2-6; 15:4-13; Gal. 5:5; Heb. 11:1.
8 - O TERRENO DA FÉ
Cristo, objetivamente revelado à mente e ao coração, é o alicerce da Fé. Está isto implicado em toda a Bíblia e está iniludivelmente ensinado em Rom. 10:11-17. “Lemos ali que a fé vem pelo ouvir e ali também achamos a pergunta (implicando uma possibilidade): Como crerão naquele de quem não ouviram.” A Bíblia nada sabe, absolutamente nada, sobre uma fé secreta, assim chamada, que pode existir à parte do conhecimento de Cristo, tal como alguns cascaduras ensinam.
No Velho Testamento Cristo foi revelado, não somente através de tipos e sombras, mas por meio de profetas, tal como Isaias. E nos é dito plenamente que o Evangelho foi pregado a Abraão e Israel (Gal. 3:8; Heb. 4:2).
9 – Porque não podemos ser salvos sem fé?
Hebreus 11.
ARREPENDIMENTO E FÉ JUNTOS:
Arrependei-vos e crede no evangelho - Mc. 1:14,15.
Não só os mandamentos de Deus devem ser observados, mas a ordem destes mandamentos também.
Além disso, é necessário se notar que só duas vezes no Novo Testamento os substantivos arrependimento e fé aparecem juntos e nas duas vezes nesta ordem. Os dois lugares no Novo Testamento onde os substantivos arrependimento e fé são usados se encontram em At. 20:21 e Heb. 6:1.
1. QUAL É A PRIMEIRA PALAVRA DO EVANGELHO?
A primeira palavra do evangelho é “arrependei-vos”; a Segunda é “crede” (Marcos 1.15)
a) A primeira mensagem de João Batista foi arrependimento (Mateus 3.1-17)
b) A primeira mensagem de Jesus Cristo foi arrependimento (Mateus 4.17)
c) Os doze apóstolos pregaram arrependimento (Marcos 6.7-13)
d) A primeira mensagem no dia de Pentecoste foi “arrependei-vos” (Atos 2.38)
e) A primeira mensagem de Paulo foi arrependimento (Atos 20.20-21)
Arrependimento é o primeiro passo na vida do crente; Deus o ordena. Se este fundamento
não for devidamente assentado, toda a estrutura será instável, incapaz de suportar as
provações e tribulações que hão de vir. Vejamos o que diz em Atos 17.20 e Hebreus 6.1-2
Na conversão há dois requisitos indispensáveis: o arrependimento que esboça o aspecto negativo, o ato de abandonar o pecado, e a fé em seu aspecto positivo, apossando-se das promessas e dos benefícios da obra de Cristo. A vida cristã, por sua própria natureza e definição, representa algo totalmente diferente da vida que tínhamos anteriormente. A vida natural é basicamente rebelde e pecaminosa. Do ponto de vista bíblico, todos nós nascemos neste mundo contaminados pela perversão egoísta do pecado e espiritualmente mortos. A vida emocional da alma não expressa qualquer centelha de vida espiritual. Não há vida de Deus no interior do homem natural. (Ef 4:17 – 18). Os gentios, ou não convertidos, estão separados da vida de Deus. Há vida física e psicológica, mas não há vida espiritual. O homem natural encontra-se espiritualmente morto. (Ef 2: 1).
A questão que levantamos inicialmente aqui é: um morto espiritual pode se arrepender e crer genuinamente? O arrependimento e a fé são pré-requisitos para a regeneração ou são conseqüências oriundas da vivificação? Nós nos convertemos para sermos regenerados, ou porque somos regenerados nos convertemos? Será que o arrependimento, como condição da conversão, é uma dádiva de Deus ou decisão humana? Estas questões têm sido alvo de debates constantes na história da igreja. Há daqueles que sustentam a conversão como exigência para a regeneração, enquanto outros vêem a conversão como resultado da regeneração. Ora, se o homem realmente está separado da vida de Deus e conseqüentemente morto em seu espírito, não há qualquer condição para que ele se arrependa e creia do ponto de vista espiritual. Ele primeiro tem que ser vivificado, mediante a Palavra de Deus, a fim de responder em seu espírito com o arrependimento e a fé. O programa de Deus para a salvação do ser humano começa pela pregação da Palavra. Deus criou o mundo pelo poder de sua Palavra e salva as pessoas pela pregação da sua Palavra. (I Cor. 1: 21). A pregação de Cristo crucificado é a munição eficiente e eficaz para toda arma de calibre que visa atingir o coração dos homens e não a sua pele. Se pretendemos alcançar os corações, devemos falar a Palavra de Deus enfocada na pessoa sublime de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Esta é a mensagem que salva. (Tg. 1:18). Pregando a Palavra da verdade do Evangelho, por meio da unção da graça, podemos tocar fundo no íntimo das pessoas, gerando a vida de Deus. “Certamente a graça de Deus pode fazer qualquer coisa sem a pregação dos ministros, mas a pregação dos ministros não pode fazer nada sem a graça de Deus”, insistia Matthew Henry. É ministrando a Palavra graciosa de Cristo crucificado e ressurreto, na unção do Espírito, que se pode gerar vida de Deus no coração morto pelo pecado. A vivificação começa através da operação viva da Palavra. (I Pd 1:23). A Palavra viva do Deus vivo gera vida nos corações mortos pelo pecado. Vivificados pelo poder do avivamento da Palavra, somos capacitados a reagir espiritualmente com as atitudes de arrependimento e fé. Creio que Deus nos vivifica primeiro para que possamos nos arrepender e crer de todo o nosso coração. Um morto espiritual não possui qualquer estímulo espiritual. Como ensinava Augusto Strong, o homem arrepende-se de verdade somente quando aprende que o pecado o tornou incapaz de arrepender-se sem a ajuda da graça renovadora de Deus. Primeiro Deus nos dá vida de arrependimento e fé mediante a pregação da Palavra, para que nós, arrependidos de nossa antiga maneira de viver, alcancemos a condição permanente de arrependimento e fé. No enfoque da graça, arrependimento e fé são inicialmente dádivas que recebemos e não cláusulas a serem preenchidas.
Outra coisa que mostra a inseparabilidade do arrependimento e da fé é o fato que a Escritura muitas vezes menciona somente um de ambos como o meio de salvação. Por causa deste fato devemos pensar de cada um, quando usado separadamente, como compreendendo o outro.
Estive presente neste estudo e gostei muito do conteúdo, por isso eu recomendo.
Um abraço Samuca.
I. O SIGNIFICADO DO ARREPENDIMENTO:
A origem da palavra no grego
O verbo que dá origem a palavra, em grego, é METANOEO, e é definido assim:
“Se arrepender, incluindo as idéias de reflexão, contemplação, e mudança de mente, pensamento, por exemplo, do julgamento e do sentimento, sobre aspectos morais, com referência particular ao caráter e conduta do próprio penitente.”
"O verbo METANOEO não deve restringir-se apenas à mera tristeza pelo pecado! O arrependimento no sentido de contrição; mas implica uma mudança de pontos de vista, de pensamento e de propósito, e uma conseqüente mudança da predisposição - arrependimento no sentido de conversão."
"mudar de idéia? por exemplo! arrepender-se?..., de ter ofendido alguém..."
"O arrependimento causa uma mudança na mente... O arrependimento causa uma mudança nas afeições
“O arrependimento opera uma mudança na vida.”
1- Duas espécies de Arrependimento
Há um arrependimento evangélico e há também um arrependimento legal. O arrependimento legal surge inteiramente através do temor das conseqüências do pecado. Esta é a espécie que Judas provou. O arrependimento evangélico é acompanhado de tristeza segundo Deus e se opera no coração pelo Espírito regenerador de Deus. É arrependimento evangélico que ora consideramos nesse estudo.
2- O que o arrependimento não é?
Não é uma reforma:
Muitos, em vez de mudar a sua atitude para com Deus, querem emendar a sua vida. Não dá certo e não é arrependimento.
Não é tristeza pelo pecado:
Muitos líderes religiosos dizem aos seus seguidores que tristeza é arrependimento, mas não é!
Paulo diz que "a tristeza segundo Deus opera arrependimento" (2 Cor. 7:10), por exemplo, a tristeza, segundo Deus, "opera" ou "produz" arrependimento, mas não é arrependimento!
Sem dúvida pode acompanhar o arrependimento, mas não é o arrependimento. Pessoas podem ficar emocionadas com a pregação e choram, mas se continuarem no mesmo rumo não mudaram de atitude para com Deus.
O terror judicial na consciência não é arrependimento:
Muitos indivíduos, os quais foram apavorados pela exposição verdadeira de um julgamento pessoal e eterno, têm, mesmo assim, continuado no pecado e na rebeldia, tanto pela continuidade na sua auto justiça quanto pela rebeldia aberta.
Especialmente, esta é a verdade no caso dos pecadores no seu leito de morte. Eles viveram suas vidas na rebelião contra o Deus do Céu, mas o pensamento do: “temor de algo aterrorizante após a morte, aquele temor do julgamento eterno que deverá passar sobre todos... O prospecto de responder pelas ações" os causa muito terror de consciência, mas isto é muito distante do arrependimento.
Não é penitência:
Outros querem se afligir ou fazer certas obras, para pagar ou penar pelos seus pecados. Deus não aceita tais obras e não precisa fazê-las porque Cristo na cruz fez o pagamento dos nossos pecados.
Nega a suficiência da satisfação de Cristo pelos nossos pecados em franca contradição com a Escritura (Cf. Rom. 4:7, 8; 10:4; Heb. 10:14; 1 João 1:7).
Não é remorso:
Quando o pecador chega a perceber as conseqüências, do seu pecado ele tem remorso, isto é: ele lamenta a situação em que se encontra, mas não muda a sua atitude para com Deus.
O caso de Judas lscariotes é um exemplo de remorso. “Então Judas que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, TOCADO DE REMORSO, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciães dizendo: “Pequei, traindo sangue inocente” (Mateus 27:3 e 4) Não houve esperança, pois a sua confissão não foi de arrependimento, mas sim, de desespero e remorso.
Um caso de pseudo arrependimento
"Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos." (Mateus 27:3)
Há casos iguais ao de Judas, onde o indivíduo experimenta a "mudança de pensamento", mas a "mudança" não vem de uma mudança de atitude e emoção adequada, e, portanto não produz a "mudança de pensamento", revelando que esta mudança não é fruto da regeneração.
A palavra usada, a respeito de Judas, é METAMELOMAI. A palavra significa que Judas ficou entristecido que fora "capturado" ou "condenado", e não significa que ele "arrependera-se" e Deus "recusou-se em salvá-lo."
"Esta palavra expressa remorso, e pode ou não ser seguida de mudança de proposta ou conduta; muito diferente da palavra (METANOEO) usada para denotar o arrependimento à vida." (BROADUS, J. A. MATEUS, p. 438)." "O verbo METAMELOMAI ocorre no N. T. apenas cinco vezes (Mt. 21:29, 27:3; II Co. 7:8; Hb 7:21 de Salmos 109:4). Paulo distingue claramente o que é mera tristeza do ato do arrependimento, o qual chama de METANOIAN (II Co 7:9). “No caso de Judas (Mateus 27:3) foi mero remorso” (ROBERTSON, A. T. WORD PICTURES, vol. 1, p. 170) "A palavra METAMELOMAI significa mudança de afeição de alguém, pesar; sempre acompanhada com a idéia de tristeza." (BOYCE, J. P. ABSTRACT OF SYSTEMATIC THEOLOGY, p. 383).
3-Os elementos constituintes do Arrependimento.
(a). O pecado é reconhecido.
O homem deve ver-se a si mesmo como diferente de Deus e em rebelião contra Deus. Deve ver a oposição que vai de sua condição com a santidade de Deus. Deve ver que Deus detesta sua condição e seu estado. O reconhecimento do pecado que entra no arrependimento para a salvação tem a ver, primariamente, não com o fato que o pecado traz castigo senão com o fato que o pecado ofende a Deus. Há, sem dúvida, um temor das conseqüências eternas do pecado; o que não é, porém, a coisa primária.
Este reconhecimento do pecado é convicção e ele constitui o elemento intelectual do arrependimento.
(b). O pecado é lamentado e aborrecido.
A tristeza divina entra no arrependimento. Quando alguém se vê a si mesmo como se fora diante de Deus, ele é trazido a lamentar o seu pecado e a aborrecê-lo. Isto é o elemento emocional do arrependimento.
(c). O pecado é abandonado
Não é completo o arrependimento enquanto não houver uma deserção íntima do pecado que conduz a uma mudança externa da conduta. Isto é o elemento voluntário ou volitivo do arrependimento. Assim o arrependimento concerne à inteira natureza interna: intelecto, emoção e vontade.
4- IlustraçÕes da Palavra de Deus
Davi, o Ilustre Rei de Israel, cometeu adultério com Bate-Seba, a linda mulher de Urias, o heteu, (II Samuel 23:39 ) do exército de Israel.
Não apenas cometeu Davi o adultério, assim como enviou Urias a morrer na guerra. (II Samuel 11:15 )
Em Salmos 51, Davi confessa, e se arrepende de seus grandes e graves pecados. Ele diz: "Contra Ti, contra Ti somente pequei, e fiz o que é mal a Tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.” (Salmos 51:4)
"Ele não substitui, portanto, direta ou indiretamente, Deus pelo homem, este como sendo a vítima, o qual é o único sentido que pode ser deduzido através da frase! contra ti? Esta idéia, entretanto, está sem dúvida implícita, assim como também perfeitamente consistente com o uso das Escrituras, no descrever do pecado contra Deus. E mesmo o homicídio, o pior crime que possa vir a ser cometido contra o homem, é condenado e punido, como uma violação contra a imagem de Deus (Gen. 9:6)"
Pedro, o Apóstolo, quem esteve entre os três mais íntimos dos apóstolos, praguejou e jurou a não conhecer a Cristo.( Mateus 26:74 ) Quando Cristo olhou a ele, Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito (Lucas 22:61), saindo dali (Marcos 14:72) e chorou amargamente, por ter pecado contra o Senhor da Glória.
A parábola do Filho Pródigo fornece-nos com um excelente exemplo de arrependimento. O filho pródigo virou as costas para o pai e desprezou o seu lar porque para ele a terra distante era muito melhor. Entretanto, depois da sua experiência na terra distante e enquanto estava apascentando os porcos, e com muita fome, ele mudou de pensamento e de atitude para com o pai e também para com a terra onde estava. (Lucas 15:17 e 18). Ele se arrependeu, e mudou de rumo.
O outro exemplo é de um dos salteadores que foi crucificado com Cristo. No princípio ele blasfemava e escarnecia de Cristo (Mateus 27:44), mas enquanto estava pendurado na cruz percebeu que o homem crucificado ao seu lado era diferente dos demais. Ele repreendeu o outro salteador que estava blasfemando do Filho de Deus (Lucas 23:40 e 41). O salteador se arrependeu e mudou de atitude para com Jesus Cristo.
5 - O arrependimento age para com os nossos próximos.
Apesar de que arrependimento não é uma obra que ganha salvação, arrependimento que leva à salvação vai resultar em obras. É impossível completamente e totalmente mudar sua convicção sem que isso cause uma mudança em ação. Na Bíblia, arrependimento resulta em uma mudança de comportamento. Por isso João Batista convidou as pessoas a produzir “frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). Uma pessoa que realmente se arrependeu de sua rejeição de Cristo e passou a ter fé nEle vai tornar isso evidente através de uma vida transformada (2 Coríntios 5:17; Gálatas 5:19-23; Tiago 2:14-26). Arrependimento, propriamente definido, é necessário para salvação. Arrependimento bíblico é mudar de convicção sobre Jesus Cristo e tornar-se para Deus em fé para salvação (Atos 3:19). Tornar-se contra o pecado não é uma definição de arrependimento, mas é um dos resultados do arrependimento genuíno que foi baseado em fé verdadeira pelo Senhor Jesus Cristo.
Se alguma pessoa teve uma "mudança de mente", a respeito de seu relacionamento com Deus, esta terá, sem dúvida alguma, uma "mudança de mente", a respeito dos seus próximos.
Se o pecador estiver realmente arrependido de seu pecado perante de Deus, então ele estará arrependido a respeito de seu relacionamento com seu "conterrâneo". O mesmo
Deus que deu os primeiros cinco Mandamentos, os quais eram de regulamentar a conduta de alguém para com Ele, também deu os últimos cinco para regulamentar a conduta de alguém com seus semelhantes.
O relatório de Zaqueu testifica que o arrependido passará por uma mudança de mente para com o seu próximo. Zaqueu foi um homem que cobrou mais do que deveria, como cobrador de impostos. Todavia, quando ele se arrependeu de seus pecados perante Deus, ele disse: "Eis que dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado."( Lucas 19:8)
O apóstolo João diz claramente que quem se arrependeu diante de Deus (e agora ama a Deus), também arrepender-se-á diante do povo de Deus (e agora ama o povo de Deus). (I João 5:1 )
6 - O arrependimento é um dom de Deus.
As três passagens seguintes provam isto:
”A Ele Deus exaltou com a Sua destra para ser Príncipe e Salvador, para dar o arrependimento a Israel e remissão dos pecados.” (Atos 5:31)
Ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade? (2 Tim. 2:24,25). (Rm 2:4)
E quando ouviram estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade, até aos gentios concedeu Deus o arrependimento para a vida. (Atos 11:18).
O sentido disso é, simplesmente, que o arrependimento se opera no homem pelo poder vivificador do Espírito Santo, como já o notamos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Pergunta: "O que é arrependimento? É arrependimento necessário para salvação?”
Resposta: Muitos entendem que o termo “arrependimento” significa “tornar-se contra o pecado”. Essa não é a definição bíblica de arrependimento. Na Bíblia, a palavra “arrepender” significa “mudar de idéia/convicção”. A Bíblia também nos diz que arrependimento verdadeiro vai resultar em uma mudança de comportamento (Lucas 3:8-14; Atos 3:19). Atos 26:20 declara: “mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.” Uma definição bíblica e completa de arrependimento é mudar de convicção sobre algo que resulta em mudança de comportamento.
Qual é então a conexão entre arrependimento e salvação?
O livro de Atos aparenta se focalizar especialmente em arrependimento em relação à salvação (Atos 2:38; 3:19; 11:18; 17:30; 20:21; 26:20). Arrepender-se, em relação à salvação, é mudar sua convicção sobre Jesus Cristo. Na pregação de Pedro no Dia de Pentecostes (Atos 2), ele conclui com um chamado para as pessoas se arrependerem (Atos 2:38). Arrepender-se de quê? Pedro está convidando as pessoas que rejeitaram a Jesus (Atos 2:36) a mudar seus pensamentos sobre Ele e reconhecer que Ele é realmente “Senhor e Cristo” (Atos 2:36). Pedro está convidando as pessoas a transformarem suas mentes deixando para trás sua rejeição de Cristo como o Messias e passar a ter fé Nele como Messias e Salvador.
(Lc 3.7,8) Refletindo sobre este texto fiz-me a seguinte pergunta: o que realmente me incomoda quando peco? Encontrei, então, duas possíveis respostas: (1) o medo da punição, do castigo, da ira divina ou (2) o pecado em si, ou seja, a própria consciência do erro e o quanto isso desagrada o meu Deus. Se a primeira reposta for verdadeira, quando eu peco, não me incomoda o fato de ter ofendido o meu Redentor, mas a possibilidade de ser punido por isso. Por outro lado, sendo a segunda verdade, temo, não apenas o castigo, mas perder a comunhão com o amado de minha alma.
Quando João começou a batizar no Jordão, muitas pessoas iam até ele para serem batizadas. Ele pregava o batismo para o arrependimento. E, de fato, contam-nos as Escrituras que os que vinham até o Batista confessavam seus pecados e eram por ele batizados. Entre essas pessoas estavam também os fariseus. Estes também confessaram seus pecados e queriam ser batizados por João para o arrependimento. Porém, aos fariseus, João repreendeu duramente e os chamou de "raça de víboras".
Então, por que João os repreende tão severamente? Porque buscavam o arrependimento por motivos errados. Quais eram os motivos errados? Eles buscavam o arrependimento por causa da "ira vindoura" – o juízo de Deus. Mas, alguém pode perguntar: não é este o motivo pelo qual os pecadores devem se arrepender? Já que sem arrependimento não há perdão o que acarreta condenação eterna. Então, o que há de errado com os motivos dos fariseus?
O erro é igual ao que muitas vezes nós mesmos cometemos: buscar o perdão por nossa própria causa e não por causa de Deus. Em outras palavras, buscar o perdão porque não queremos ser prejudicados – castigados – e não porque amamos a Deus. Esta idéia de pedir perdão para não ser castigado está tão impregnada em nossas mentes que nem percebemos que é assim que agimos na maioria das vezes. Vou dar alguns exemplos que comprovam isso. Você já percebeu que quando você quer muito alguma coisa e ora intensamente para obtê-la, você também se torna muito mais cuidadoso com o pecado, evitando-o ao máximo. Isto acontece porque temos medo de que Deus se zangue conosco por termos pecado e, como castigo, nos prive daquilo que tanto queremos. Um outro exemplo: depois de termos pecado sentimo-nos mal com isso: o coração fica apertado, a consciência nos perturba tanto que parece até uma dor física, perdemos a paz, o prazer e sequer conseguimos nos divertir por causa do remorso em nossa mente. Então, oramos, buscando o perdão de Deus. Você vai perguntar: o que há de errado nisso? Nada, se o fizéssemos por amor a Deus. Mas, quando fazemos isso simplesmente para nos sentirmos bem novamente, buscamos o perdão por motivos errados e egoístas.
A busca do perdão deve ser conseqüência do verdadeiro arrependimento. Este arrependimento não tem a ver somente com o medo do castigo, mas também e principalmente com o amor que temos pelo Santo Deus. O perdão tem a ver com o outro e não com nós mesmos, ou seja, não devemos pedir perdão para nos preservar, senão por amarmos a quem ofendemos. Isto se torna ainda mais real e necessário em nosso relacionamento com Deus. Quando pecamos ofendemos a Deus, agredimos a sua santidade, desonramos a obra de Cristo e somos levianos com a graça e com a misericórdia divinas. Ainda mais, mostramos não compreender quão sério e grave é o pecado para Deus, pois por causa do pecado o Pai sacrificou seu único Filho. Assim, o arrependimento e a busca do perdão devem, antes de tudo, refletir a consideração que temos por Deus e por tudo que fez por nós através de Cristo. Baseado no que revelam as Escrituras, que o céu não é bom porque lá há ruas de ouro e outras maravilhas, mas porque no céu é impossível pecar, logo lá não poderei desagradar nem ofender o meu Deus.
II. A FÉ :
Aqui temos a referência à fé salvadora; por isto notamos:
1- A FÉ SALVADORA DEFINIDA
A fé salvadora é confiança e firmeza no Senhor Jesus Cristo como o Salvador pessoal de alguém e portador de pecados. E, desde que a salvação inclui a santificação tanto como a justificação, a fé salvadora alcança a entrega do ser a Cristo.
A salvação é dada por Deus sem merecimento algum da nossa parte. Pela fé recebemos a salvação, pois é o meio pelo qual somos salvos. A palavra mais empregada para descrever a fé é “crer”, mas também há outras como VIR a Cristo (Mat 11:28). “ENTRAR pela porta” (João 10:9) “RECEBER” (João 1:12), e “ABRIR a porta” (Apocalipse 3:20). No Novo Testamento alguns versículos que conhecemos melhor são os que dão ênfase à fé, como: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua casa” (Actos 16:31). “O justo viverá por fé” (Romanos 1:17), e “e tua fé te salvou (Mateus 9:22). Portanto, queremos saber o que é a fé”.
2 - A FÉ SALVADORA DISTINGUIDA DE SUAS IMITAÇÕES
(1). Crença histórica
Isto é mera crença nos fatos da revelação como matérias de história, incluindo a crença na existência de Deus e em que houve um homem chamado Jesus que pretendeu ser o Filho de Deus. Pode ver-se prontamente que semelhante crença não tem valor salvador.
(2). Assentimento intelectual
Isto sobe mais um degrau, trazendo aceitação mental das coisas reveladas de Deus e Jesus Cristo. Assim, um que crê na existência de Deus vem a crer nEle como sendo um ser segundo a Bíblia O revela ser e um que crê que semelhante pessoa como Jesus viveu, vem a crer que Ele era o Filho de Deus e que Ele morreu como um sacrifício pelo pecado. Isto é um passo para a fé salvadora, mas não é ela mesma.
O campbelismo ensina que a fé salvadora não é nada mais que o precitado. Ele se fia em passagens como 1 João 4:15 e 5:1. Mas estas passagens devem ser compreendidas à luz de toda a outra Escritura e esta certamente proíbe que a crença referida nessas passagens deva ser entendida como sendo mero assentimento intelectual à deidade de Cristo. A fé salvadora não é meramente mental (intelecto), mas do coração (emoções). Vide Rom. 10:9,10. A crença de que se falou nas passagens supra é tal como é produzida no coração por um conhecimento experimental do poder de Cristo.
Dois fatos, então, quanto às circunstancias sob as quais estas expressões foram enunciadas, lançam luz sobre elas.
A. O perigo de se professar crença na deidade de Cristo foi tal nos dias apostólicos que ninguém o faria assim a menos que impulsionado por verdadeira fé nEle.
B. O cristianismo apresentou tal contraste com o judaísmo e paganismo que ninguém creria na deidade de Cristo sem verdadeira fé nEle. Aqueles que não tinham esta fé considerariam a Jesus como um impostor.
3 – O que é Fé?
Há três elementos na fé:
(A) O conhecimento do caminho
(B) A submissão ao caminho
(C) Confiança no caminho
(A) O conhecimento do caminho:
É lógico que precisa conhecer o evangelho antes de poder crer nele. Mesmo assim há pessoas que tem fé como o pedreiro que, quando lhe perguntaram no que ele cria respondeu: “creio no que a igreja crê”. “E no que a igreja crê?” “a igreja crê no que eu creio”. “Sim, mas no que você e a igreja crêem?” “Bem, cremos na mesma coisa”. A única coisa que esse homem cria era que a igreja estava certa, mas no que ele não sabia dizer. É inútil que alguém diga: “Eu sou crente”, se não sabe no que crê; mesmo assim temos visto pessoas com essa posição. Ouviu uma pregação empolgante que agitou o sangue deles; o pregador gritava: “Creia! Creia! Creia!” e de repente as pessoas põem na cabeça que são crentes, e saem por ai dizendo isso. Quando lhe perguntam: “Bem, no que vocês crêem?”, não sabem dar a razão da esperança que há neles. Crêem que irão ao culto no próximo domingo; pretendem juntar-se a certo tipo de pessoas; decidem cantar com muita força, e serem maravilhosos a seus próprios olhos, por isso acha que serão salvos; mas não sabem dizer no que crêem. Bem, a fé não é verdadeira se a pessoa não sabe dizer no que crê.
O apóstolo Paulo trata deste assunto em Romanos, capítulo 10. “É assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém invocarão aquele em que não creram? e como crerão naquele de que nada ouviram? e como ouvirão se não há quem pregue? (Romanos 10:13 e 14). Há necessidade de entender a mensagem do evangelho antes de poder crer, e por isso, o pregador deve anunciar com clareza os fatos essenciais do evangelho.Entretanto, o conhecimento do evangelho não salva ninguém. Alguém, pode conhecer e aceitar todos os fatos do evangelho sem obter a salvação. Simão o mágico acreditou no evangelho, “abraçou a fé” e foi batizado, mas ainda estava em “fel de amargura e laço de iniqüidade” (Atos 8:13 e 23).
Precisa haver certo grau de conhecimento antes que possa haver fé (Jo: 5.39)
Com a pesquisa e o estudo vem o conhecimento, com o conhecimento vem à fé, e com a fé vem à salvação.
(B) A submissão ao caminho:
Foi pela sua livre vontade que o homem tornou-se revoltoso contra Deus e também é pelo exercício da sua vontade que ele volta a Deus por Jesus Cristo. O homem pode escolher entre o caminho largo e o caminho apertado, entre Cristo e o pecado.
(C) Confiança no caminho
Entretanto, é possível que alguém tudo isso sem que tenha fé autêntica, porque a parte principal da fé está na terceira palavra, ou seja, na confiança, na verdade. Não simplesmente acreditar nela, mas para tomar posse dela e apoiar-se nela para salvação. Descansar na verdade é a palavra que os pregadores antigos usavam. Você entende essa palavra: reclinar-se sobre -- dizer: “Isto é verdade. Confio minha salvação nela”. A fé verdadeira em sua essência reside nisso – descansar em Cristo. Saber que Cristo é o salvador não me salva. Confiar Nele como meu salvador é que vai me salvar. Não serei poupado na ira vindoura por crer que sua expiação é suficiente; mas serei salvo tornando essa expiação a minha garantia, meu refúgio, meu tudo. O cerne, a essência da fé está nisso – fundamentar-se sobre a promessa. Não é a bóia salva – vidas que esta no navio que salva alguém que está se afogando, nem a convicção de que ela é uma invenção muito boa e prática. Não! É preciso colocá-la em volta da cintura, ou segura-la com as mãos se não afogaremos. Usando uma ilustração antiga e bem conhecida: imagine que começou um incêndio em um quarto do segundo andar de uma casa, e as pessoas se aglomeram na rua. Há uma criança neste andar: como escapará? Ela não pode pular, porque se faria em pedaços. “Um homem forte vem para frente da casa e grita: ““ Jogue-se nos meus braços”. Faz parte da fé saber que o homem está ali; outra parte da fé é saber que o homem é forte; mas a essência da fé reside em deixar-se cair nos braços do homem. Essa é a prova da fé e sua verdadeira essência e medula. Portanto, o pecador, precisa saber que Cristo morreu pelos pecadores; precisa compreender também, e crer, que Cristo pode salvar; mas você não será salvo se não colocar sua confiança nEle para ser seu salvador para sempre.
O caminho é uma pessoa; é Jesus Cristo que pela Sua morte na cruz tornou-se o caminho, pois, somente Ele pela sua morte expiatória serve como base para a nossa fé. Não é a questão de ter uma fé grande ou pequena, mas o que é mais importante é a pessoa em quem estamos confiando. Escreveu o apóstolo Pedro: “Chegando-vos para ele (Cristo), pedra que vive” (1 Pedro 2:4). Há firmeza, segurança e salvação em Cristo crucificado, e só nele. O leitor de Atos dos Apóstolos havia de notar que os pregadores, da igreja primitiva falavam de Jesus Cristo e o apresentavam como o objeto da nossa fé. A respeito da igreja em Jerusalém temos: “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e pregar Jesus, o Cristo” (Atos 5:42).
4. A fé como um dom de Deus.
Isto está provado pelas passagens já citadas que designam o arrependimento como um dom de Deus; porque, como veremos, o arrependimento e a fé são graças inseparáveis. Cada uma, quando aparece só nas Escrituras, abraça a outra; porque, se isto não fosse verdade, as passagens que mencionam só uma ou outra, ensinavam que alguém possa salvar-se tanto sem arrependimento como sem fé.
Isto também está provado por passagens que ensinam que a nossa vinda a Cristo e crença nEle são o resultado da obra do poder de Deus. Vide João 6:37,65; Efe. 1:19,20. Isto está ainda provado pelo fato que a fé é um fruto do Espírito Santo (Gal. 5:22).
A fé é algo proveniente de Deus, e não do homem. É por causa da fidelidade, bondade e imutabilidade de Deus demonstrado no evangelho (fé) que o homem passa a descansar na esperança proposta (fé). Ao ouvir a palavra de Deus, que contém grandíssimas promessas II Pe 1: 4, no coração do homem surge a fé, que nada mais é que confiança (fé) em Deus, que é fiel e poderoso para cumprir. A fé é resultado direto da fidelidade e do poder de Deus.
5- A fé não tem mérito em si mesma.
6 - A fé necessáriamente se expressa em obras.
A fé é um princípio dinâmico. Ela ergue o amor e, portanto as obras (Gal. 5:6). A fé que não se expressa em obras é uma fé morta, o que é só outra maneira de dizer que é espúria ou irreal (Tia. 2:17).
7 - A fé é distinguivel da esperança
A fé e a esperança são muito aparentadas; mas ambos os termos não são sinônimos. Fé e esperança diferem nas seguintes maneiras:
(a). Fé é confiança; esperança é expectação A diferença aqui é estreita, mas é uma diferença tal como é comum entre vários termos um tanto parecidos. Tanto a fé como a esperança envolvem a idéia de confiança, mas com o uso de preposições diferentes. Confiamos em? Como um ato de fé. Confiamos para? Em esperança.
(b) A Fé é firmeza sobre algo agora presente Como conhecido ou crido, Esperança está olhando pra diante, para algo no futuro.
(c) Cristo é o objeto da fé; Ao passo que a salvação, liberdade do pecado, glorificação e céu são os objetos da esperança.
(d) A esperança resulta da fé Portanto, não pode ser fé. Vide Rom. 5:2-6; 15:4-13; Gal. 5:5; Heb. 11:1.
8 - O TERRENO DA FÉ
Cristo, objetivamente revelado à mente e ao coração, é o alicerce da Fé. Está isto implicado em toda a Bíblia e está iniludivelmente ensinado em Rom. 10:11-17. “Lemos ali que a fé vem pelo ouvir e ali também achamos a pergunta (implicando uma possibilidade): Como crerão naquele de quem não ouviram.” A Bíblia nada sabe, absolutamente nada, sobre uma fé secreta, assim chamada, que pode existir à parte do conhecimento de Cristo, tal como alguns cascaduras ensinam.
No Velho Testamento Cristo foi revelado, não somente através de tipos e sombras, mas por meio de profetas, tal como Isaias. E nos é dito plenamente que o Evangelho foi pregado a Abraão e Israel (Gal. 3:8; Heb. 4:2).
9 – Porque não podemos ser salvos sem fé?
Hebreus 11.
ARREPENDIMENTO E FÉ JUNTOS:
Arrependei-vos e crede no evangelho - Mc. 1:14,15.
Não só os mandamentos de Deus devem ser observados, mas a ordem destes mandamentos também.
Além disso, é necessário se notar que só duas vezes no Novo Testamento os substantivos arrependimento e fé aparecem juntos e nas duas vezes nesta ordem. Os dois lugares no Novo Testamento onde os substantivos arrependimento e fé são usados se encontram em At. 20:21 e Heb. 6:1.
1. QUAL É A PRIMEIRA PALAVRA DO EVANGELHO?
A primeira palavra do evangelho é “arrependei-vos”; a Segunda é “crede” (Marcos 1.15)
a) A primeira mensagem de João Batista foi arrependimento (Mateus 3.1-17)
b) A primeira mensagem de Jesus Cristo foi arrependimento (Mateus 4.17)
c) Os doze apóstolos pregaram arrependimento (Marcos 6.7-13)
d) A primeira mensagem no dia de Pentecoste foi “arrependei-vos” (Atos 2.38)
e) A primeira mensagem de Paulo foi arrependimento (Atos 20.20-21)
Arrependimento é o primeiro passo na vida do crente; Deus o ordena. Se este fundamento
não for devidamente assentado, toda a estrutura será instável, incapaz de suportar as
provações e tribulações que hão de vir. Vejamos o que diz em Atos 17.20 e Hebreus 6.1-2
Na conversão há dois requisitos indispensáveis: o arrependimento que esboça o aspecto negativo, o ato de abandonar o pecado, e a fé em seu aspecto positivo, apossando-se das promessas e dos benefícios da obra de Cristo. A vida cristã, por sua própria natureza e definição, representa algo totalmente diferente da vida que tínhamos anteriormente. A vida natural é basicamente rebelde e pecaminosa. Do ponto de vista bíblico, todos nós nascemos neste mundo contaminados pela perversão egoísta do pecado e espiritualmente mortos. A vida emocional da alma não expressa qualquer centelha de vida espiritual. Não há vida de Deus no interior do homem natural. (Ef 4:17 – 18). Os gentios, ou não convertidos, estão separados da vida de Deus. Há vida física e psicológica, mas não há vida espiritual. O homem natural encontra-se espiritualmente morto. (Ef 2: 1).
A questão que levantamos inicialmente aqui é: um morto espiritual pode se arrepender e crer genuinamente? O arrependimento e a fé são pré-requisitos para a regeneração ou são conseqüências oriundas da vivificação? Nós nos convertemos para sermos regenerados, ou porque somos regenerados nos convertemos? Será que o arrependimento, como condição da conversão, é uma dádiva de Deus ou decisão humana? Estas questões têm sido alvo de debates constantes na história da igreja. Há daqueles que sustentam a conversão como exigência para a regeneração, enquanto outros vêem a conversão como resultado da regeneração. Ora, se o homem realmente está separado da vida de Deus e conseqüentemente morto em seu espírito, não há qualquer condição para que ele se arrependa e creia do ponto de vista espiritual. Ele primeiro tem que ser vivificado, mediante a Palavra de Deus, a fim de responder em seu espírito com o arrependimento e a fé. O programa de Deus para a salvação do ser humano começa pela pregação da Palavra. Deus criou o mundo pelo poder de sua Palavra e salva as pessoas pela pregação da sua Palavra. (I Cor. 1: 21). A pregação de Cristo crucificado é a munição eficiente e eficaz para toda arma de calibre que visa atingir o coração dos homens e não a sua pele. Se pretendemos alcançar os corações, devemos falar a Palavra de Deus enfocada na pessoa sublime de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Esta é a mensagem que salva. (Tg. 1:18). Pregando a Palavra da verdade do Evangelho, por meio da unção da graça, podemos tocar fundo no íntimo das pessoas, gerando a vida de Deus. “Certamente a graça de Deus pode fazer qualquer coisa sem a pregação dos ministros, mas a pregação dos ministros não pode fazer nada sem a graça de Deus”, insistia Matthew Henry. É ministrando a Palavra graciosa de Cristo crucificado e ressurreto, na unção do Espírito, que se pode gerar vida de Deus no coração morto pelo pecado. A vivificação começa através da operação viva da Palavra. (I Pd 1:23). A Palavra viva do Deus vivo gera vida nos corações mortos pelo pecado. Vivificados pelo poder do avivamento da Palavra, somos capacitados a reagir espiritualmente com as atitudes de arrependimento e fé. Creio que Deus nos vivifica primeiro para que possamos nos arrepender e crer de todo o nosso coração. Um morto espiritual não possui qualquer estímulo espiritual. Como ensinava Augusto Strong, o homem arrepende-se de verdade somente quando aprende que o pecado o tornou incapaz de arrepender-se sem a ajuda da graça renovadora de Deus. Primeiro Deus nos dá vida de arrependimento e fé mediante a pregação da Palavra, para que nós, arrependidos de nossa antiga maneira de viver, alcancemos a condição permanente de arrependimento e fé. No enfoque da graça, arrependimento e fé são inicialmente dádivas que recebemos e não cláusulas a serem preenchidas.
Outra coisa que mostra a inseparabilidade do arrependimento e da fé é o fato que a Escritura muitas vezes menciona somente um de ambos como o meio de salvação. Por causa deste fato devemos pensar de cada um, quando usado separadamente, como compreendendo o outro.
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